Sunday, June 18, 2017

Um poema para Maya Angelou

Bringing the gifts that my ancestors gave, / I am the dream and the hope of the slave. / I rise / I rise / I rise. / (Maya Angelou)


Como uma menina pode ser feliz

despachada em um trem
com uma etiqueta?

Resta ler Poe e Shakespeare
sentada a sós no chão do Arsansas
- renegada filha que leva uma cicatriz -


O mundo é feito de corpos inocentes
cruzando linhas, plenos de dor
sabendo da impunidade
dos que massacram suas carnes

Cada menina ferida
vinga-se da vida
ao tecer-se - escultura de liberdade

Ave Maya! Ave Poesia!
canta este canto de rouxinol livre
segura com força esta manhã
que em abre o peito com estilete agudo

Sangrar é comum aos descartados
até que o canto puro vaza
a inaugurar a mais bela madrugada

Bárbara Lia para Maya Angelou